Tinta
a óleo
A tinta a óleo é uma mistura de pigmento
pulverizado e óleo de linhaça ou papoula. É uma massa espessa,
da consistência da manteiga, e já vem pronta para o uso,
embalada em tubos ou em pequenas latas. Mas você pode adicionar
óleo de linhaça ou terebintina e torná-la mais diluída e
fácil de espalhar. O óleo acrescenta brilho à tinta; o solvente
tende a torná-la opaca. A grande vantagem da pintura
a óleo é a flexibilidade, pois com a secagem lenta da tinta
o pintor tem maior possibilidade de alterar e corrigir o
seu trabalho.
TINTAS
- Com
relação à qualidade, há dois tipos: profissional e amador.
A tinta usada pelos profissionais tem cor mais intensa e
viva, pois a densidade do pigmento é maior do que na tinta
para amadores, que vem com excesso de óleo ou misturada
com outros materiais, como o giz, e pigmentos de qualidade
inferior. Mas a tinta para amadores é perfeitamente satisfatória
e é possível investir numa maior variedade de cores.
PINCÉIS
- São suficientes 3 ou 4 pincéis, de boa qualidade, chatos,
redondos e ovais chatos. Os pincéis de cerdas, feitos com
pêlo de porco, são bem mais duros do que os de marta e absorvem
maior quantidade de tinta. Pôr isso são melhores para espalhar
a tinta em grandes áreas de tela. Para trabalhar os detalhes,
é melhor usar um pincel tipo marta, redondo. Os de náilon
também são aceitáveis, pôr sua resistência e facilidade
de limpeza, mas com o tempo acabam se deformando.
PALETA
- Qualquer superfície pode servir como paleta, desde que
seja impermeável e uniforme. As paletas clássicas, de madeira
com orifício para o polegar, são encontradas em várias formas
e tamanhos.
SOLVENTES
- A tinta a óleo é aplicada pura ou diluída em solvente.
O tipo mais comum de solvente consiste numa mistura de óleo
de linhaça e terebintina, em partes iguais. Desaconselha-se
o uso de aguarrás (um derivado do petróleo), produto que
pode reagir com as tintas.
ESPÁTULA
- Para misturar a tinta na paleta, removê-la ou aplicá-la
pura à tela (esculpindo-a para obter uma textura vigorosa,
chamado "impasto") será necessário uma espátula.
SUPERFÍCIES
PARA A PINTURA - As superfícies tradicionais para
óleo são a tela e a madeira.As telas, em geral feitas de
linho, juta ou lona de algodão, apresentam qualidades variadas.
Existem dois tipos de trama: finas, para trabalhos detalhados
e retratos; e grossas, para pinturas com tinta mais espessa.
As de madeira são chapas do tipo duratex ou eucatex, impermeabilizadas
com gesso acrílico.
COMO
TRABALHAR COM O ÓLEO - Alguns artistas usam carvão
para um esboço preliminar, mas não se deve carregar no traço
e antes de começar a pintura, deve-se retirar o excesso
batendo um pano limpo na tela. O pincel n.º 2 e a tinta
diluída com aguarrás também pode ser utilizado para esboçar
os contornos, se errar, apaga-se molhando uma ponta de trapo
em terebintina e esfregando no local a ser corrigido. Para
cobrir a tela com pinceladas rápidas e ousadas, de textura
rica, é só usar a tinta a óleo sem mistura. Para os detalhes
que exigem precisão, acrescente óleo de linhaça ou terebintina
a fim de obter uma tinta mais cremosa e fluída. Se você
não gostar de alguma parte da pintura, retire-a com a espátula.
Em seguida, limpe a superfície com um trapo embebido em
solvente.
PREPARANDO
A PALETA - Esprema um pouco de cada cor - o equivalente
à superfície de uma pequena moeda - em volta da paleta e
vá formando pequenos montinhos. Comece com o branco, em
quantidade equivalente ao dobro das outras tintas, pois
esta é a cor mais utilizada. Em seguida, vá dispondo as
cores quentes ao longo de um lado, e as frias do outro.
O centro da paleta deve ficar reservado às misturas, feitas
com pincel e espátula. Pegue um pouco de cada tinta que
deseje combinar e vá fazendo adições até obter a cor pretendida.
Lembre de ter sempre à mão um vidro com terebintina e um
pano grande de algodão, ou um rolo de papel higiênico para
limpeza dos pincéis. Não limpe os pincéis na terebintina
usada para as misturas!
Os vapores dos solventes podem
ser prejudiciais à saúde, pôr isso trabalhe em local ventilado.
COMECE
PELOS ESCUROS E PELO FUNDO - Pinte primeiro os
tons escuros e, a partir daí, os mais claros. As regiões
escuras são mais facilmente identificadas e, uma vez pintadas,
servem como referencial para os demais tons do quadro. A
aplicação dos tons claros sobre os escuros dá a noção de
volume e profundidade.
AJUSTANDO
AS CORES - Para chegar a uma proporção que lhe
dê a cor ideal, proceda gradualmente e com cuidado. Ao invés
de acrescentar um pouco de branco para clarear uma cor,
experimente adicionar uma cor próxima. Pôr exemplo: misture
o alaranjado ao vermelho, o azul claro ao azul escuro ou
violeta, etc. São raras as obras realizadas com cores puras,
o efeito pode ser desarmonioso e berrante. Mas é claro que
há exceções.
ECONOMIZE
AS TINTAS - Fora do tubo, a tinta a óleo absorve
oxigênio do ar, tornando-se seca e imprestável. É possível
retardar esse processo cobrindo a paleta com um plástico
para guardá-la ou utilizar como paleta uma caixa com tampa
(Ex: caixa de fita de vídeo), e acrescentar uma gotinha
de óleo de linhaça às tintas quando parar de usá-las, ajuda
a ficarem úmidas mais tempo.
A
SECAGEM - Coloque seu trabalho para secar, em um
local seguro, sem poeira e sem luz solar direta. Se quiser
envernizá-lo, deve esperar pelo menos seis meses, pois o
verniz pode se combinar quimicamente com as tintas, e se
mais tarde ele amarelar ou perder a transparência, não há
solução, pois ele torna-se irremovível.
AQUARELA
Aquarela
é o nome da mistura de pigmento colorido com aglutinante
e também a técnica em que se emprega essa tinta diluída
em água. Constitui um meio de expressão delicado e transparente,
mas exige que o aquarelista trabalhe rapidamente, sem se
ater a minúcias e sem poder sobrepor a tinta para retoques.
Ao secar, a aquarela perde a metade de seu colorido, torna-se
pálida e esmaecida quando acabada, apresentando um bonito
efeito de transparência, porque nela se utiliza pequena
quantidade de cor diluída em muita água. Com a evaporação
da água, o papel adquire luminosidade. Pode-se aplicar outras
camadas de tinta, até se obter uma coloração mais forte.
À medida que se pintam novas camadas, a transparência da
aquarela vai desaparecendo, e sua luminosidade pode se anular
por completo.
Como
a água seca depressa, trabalhe com rapidez, planejando sua
obra antes de iniciá-la.
TINTAS
- As tintas são fabricadas com pigmento em pó e goma-arábica
diluídos em água. As pastilhas custam menos que os tubos,
porém as tintas em tubo têm brilho mais intenso e não desgastam
tanto os pincéis (não é preciso esfregá-los, como nas pastilhas,
para se apanhar a tinta).
PINCÉIS
- No início, bastam três ou quatro, redondos, chatos, grandes
e pequenos. Os de melhor qualidade são os de pêlo de marta.
Mas pode-se usar os mistos, com pêlo de marta e de esquilo,
ou marta com pêlo de orelha de boi. Pincéis sintéticos são
baratos mas perdem a ponta com facilidade. Pincéis chatos
são usados para espalhar a tinta em grandes áreas do papel;
os redondos para detalhes e partes aguadas. Lave-os com
bastante água corrente sempre que terminar uma pintura.
Molde-os com os dedos para formar uma ponta, de modo que
eles não percam a forma ao secar. Coloque-os para secagem
em um copo, com as cerdas para cima.
GODÊ
- Uma superfície à prova de água, de preferência branca,
onde se misturam as tintas, pode ser uma fôrma de gelo ou
um prato de isopor; as tintas aí colocadas, não serão perdidas,
pois depois de secas, basta misturar água e elas podem ser
utilizadas novamente.
PAPEL
- Há vários tipos de papel próprios para aquarela, em folhas
avulsas ou blocos, como o Acqua e alguns feitos à mão. Quase
todos são importados. Possuem diferentes características
quanto à textura, peso e qualidade. O papel varia em textura
da superfície (porosidade), em peso (gramatura - dependendo
de sua espessura) e em tamanho. Comece a pintar em papel
não muito fino e brilhante, e sempre branco ou amarelado,
para não estragar a limpidez tão característica da aquarela.
Um bom papel para iniciantes é o Acqua 290g, superfície
semi-rugosa, e é vendido em folhas de 50 x 70cm. Os papéis
de boa qualidade, feitos à mão ou industrializados, vêm
com uma marca-d’água ou carimbo seco (em relevo) na folha.
Há três tipos de textura: áspera (com porosidade acentuada),
média e lisa. O papel tende a se enrugar quando molhado
e, quanto mais fino, maior essa tendência. Guarde-o sempre
em lugar seco, pois a umidade pode ativar impurezas químicas
e alterar sua capacidade de absorção de tinta. Os papéis
mais utilizados em aquarela classificam-se em: Arches Satiné
liso, 300g / Fabriano 2G semi-rugoso, 210g / Acqua semi-rugoso,
290g / Fabriano 40GG rugoso, 300g / Arches Torchon rugoso,
300g / Papel Feito à Mão rugoso, 220g.
BASTANTE
ÁGUA LIMPA - Dois recipientes para água. Um deles
para limpar pincéis; o outro, mantido mais limpo, para diluir
as tintas. Trapos de pano serão úteis na limpeza dos pincéis.
NÃO
EXAGERE NAS MISTURAS - Se você misturar muitas
cores, verá que as combinações se tornarão sujas e sem vida,
o que contraria o efeito transparente e luminoso da aquarela
.
Lembre-se
de preparar uma boa quantidade de tinta antes de iniciar
a pintura, pois é muito difícil reproduzir a mesma cor em
uma segunda mistura.
COMO
REMOVER A TINTA DO PAPEL - Umedeça o papel e antes
que seque, remova a tinta com pincel seco ou esponja.
A
SEGUNDA CAMADA - A aplicação de uma segunda camada
de tinta pode criar um efeito interessante, dando às cores
maior intensidade e profundidade. Esta técnica pode ser
usada, pôr exemplo, para fazer os azuis desiguais do céu
e da água, e dar volume a formas arredondadas.
ESBOCE
OS CONTORNOS – Antes de começar a pintura, esboce
levemente os contornos das figuras com lápis macio, para
ter idéia do conjunto e da colocação exata de cada cor.
PLANEJE
OS BRANCOS – Decida logo no início da pintura onde
se situarão as áreas em que o papel ficará em branco e não
avance nesses espaços em hipótese alguma, pois o branco
da pintura em aquarela é o branco do papel
Os
10 Mandamentos para se Julgar um Quadro.
Olhe
atentamente, sem se preocupar com o assunto que ele representa.
Não
condene, simplesmente porque nunca viu uma mulher assim,
ou um cavalo verde. Pintura é criação, e criação é o poder
de abstrair-se da realidade.
Pense
sempre que um bom assunto não faz uma pintura boa, mas uma
boa pintura torna bom qualquer assunto. Uma natureza morta
pode ser tão boa quanto uma cena de batalha, ou o desespero
de uma mãe ante o filho morto.
Assim
como não se pergunta ao ouvir a IX Sinfonia de Bethoven
ou um Ópus de Chopin, "o que significa isso ?"
Não interrogue a toda hora, diante de um quadro, "que
quer dizer isso ?". A linguagem da música são os sons
e a da pintura as cores e formas.
Não
procure guiar-se pelo "gosto/não gosto". Deixe
que o quadro o abrace, pois, sendo a pintura uma linguagem
de comunicação visual, a ela cabe comunicar-se com você,
e não você com ela.
Observe
atentamente as linhas da composição e verifique se elas
se desenvolvem suavemente, ou se, pelo contrário, são extremamente
acidentadas. Cada estilo tem linhas próprias de composição.
Analise
as cores. Geralmente num quadro de estilo coerente, as linhas
calmas sucedem-se cores límpidas e espalhadas regularmente
na tela, as linhas acidentadas correspondem cores violentamente
contrastadas.
Observe
o claro e escuro, caso ele exista, é o claro escuro que
dá a sensação de terceira dimensão. Ao claro corresponde
a parte que se encontra na luz, e ao escuro o lado da sombra.
Nas pinturas ou estilo que preferem as cores fortes e linhas
serenas, geralmente o claro escuro é pouco visível e os
quadros parecem ter pouca profundidade, é normal.
Procure
observar se o artista deu mais valor aos volumes ou preferiu
dar mais ênfase a cor. Na pintura de valores não cromáticos
não exija cores violentas. não incrimine o pintor de não
saber dar volume a suas figuras.
Medite
sempre sobre iso: cada época e cada indivíduo têm seu estilo
característico. Não queira que todos pintem igual a Rafael
ou Ingres. Cada um reflete seu próprio mundo, impossível
de ser unificado.